Conforto térmico? O que é isso?
- Letícia Cristina Sena Soares

- 3 de mar. de 2022
- 5 min de leitura
Não ligar o ar condicionado com medo da conta de energia; deixar ventilador ligado o dia todo e às vezes com uma toalha molhada em cima; sentar embaixo de uma árvore ou perto das plantas ao entardecer; beber água frequentemente e nada do calor passar. Bem provável que você não só ouviu falar como também já viveu uma dessas realidades.
Afinal, que Palmas-TO é uma cidade quente não é novidade para ninguém! Mas, então fica a pergunta: como promover um melhor conforto térmico? Quais estratégias utilizar? Nesse post, você poderá saber um pouco mais sobre esse conceito e como promovê-lo.

O que é Conforto Térmico e por que é importante?
Conforme definido pela ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating, and Air-Conditioning Engineers), Conforto Térmico é “uma condição mental que expressa satisfação com as condições térmicas do ambiente que é avaliado de forma subjetiva pelo indivíduo”. Em resumo, é sentir-se bem com a sensação térmica do ambiente em que você está.
É importante ressaltar que trata-se de uma avaliação subjetiva. Isto é, o conforto térmico é experimentado por cada um de nós de forma distinta. Mesmo estando expostos a um mesmo ambiente, ao adotar estratégias de conforto térmico, como no exemplo de um escritório, são perceptíveis alguns benefícios como:
A satisfação dos colaboradores permitindo que eles se sintam termicamente confortáveis;
A performance humana melhora: as atividades intelectuais, manuais e perceptivas geralmente apresentam um melhor rendimento quando realizadas em conforto térmico;
A conservação de energia: ao conhecer as condições e os parâmetros relativos ao conforto térmico dos ocupantes do ambiente, evitam-se desperdícios com aquecimento e refrigeração, muitas vezes desnecessários.
Portanto, para atingirmos um estado individual de conforto térmico é necessário que haja uma determinada combinação harmoniosa entre fatores ambientais, físicos, psicológicos e fisiológicos, com implicações em nossa produtividade, bem-estar físico e emocional, além da saúde.
Quais estratégias utilizar para promover conforto térmico no contexto de Palmas-TO?
Existem várias formas de se obter mais conforto térmico em projetos de arquitetura e engenharia civil. A primeira delas é fazer, adequadamente, a implantação do edifício no terreno, levando em consideração a posição em relação ao sol.
Como o sol nasce no leste e se põe no oeste, é interessante que durante a concepção da planta baixa, o projetista pense em como organizar os ambientes de modo a aproveitar o potencial de cada fachada e adotando as estratégias necessárias: as chamadas Estratégias Bioclimáticas, as quais são alternativas ou soluções que influenciam a edificação, assim como, o seu processo e sistema construtivo, a forma, os materiais e os componentes construtivos.
Dentre tantas estratégias bioclimáticas, as mais indicadas para a cidade de Palmas-TO, de acordo com o site Projeteee são ventilação natural, sombreamento e inércia térmica para resfriamento, como mostrado na imagem abaixo e mais bem detalhado a seguir.
1. Ventilação natural

Além do que já foi mencionado quanto à posição dos ambientes em relação ao sol, é importante levar em conta a orientação das aberturas dos ambientes (portas e janelas) na direção dos ventos predominantes, que são diferentes no inverno e no verão.
Além disso, ao analisar como se comportam os ventos, torna-se possível pensar na disposição dos espaços bem como na inserção de elementos arquitetônicos, como brises e beirais.
Por outro lado, as diferenças de pressão podem ser causadas pelo vento ou por diferenças de temperatura, o que configura dois tipos principais de ventilação passiva: a ventilação cruzada e a ventilação por efeito chaminé.
Pelo chamado efeito chaminé, o ar mais frio, mais denso, exerce pressão positiva, o ar mais quente, por tornar-se menos denso, exerce baixa pressão e tende a subir criando correntes de convecção.
Na ventilação cruzada exploram-se os efeitos de pressão negativa e positiva que o vento exerce sobre a edificação ou qualquer outro anteparo. Para proporcionar uma boa ventilação natural é preciso posicionar as aberturas em zonas de pressão oposta.
A ventilação cruzada promove a remoção do calor por acelerar as trocas por convecção e também contribui para melhoria da sensação térmica dos ocupantes por elevar os níveis de evaporação.
2. Sombreamento

Seja com o auxílio de beirais ou de vegetação, o sombreamento é uma estratégia fundamental para redução dos ganhos solares através do envelope da edificação.
Uma proteção solar mal projetada pode não só obstruir a radiação solar direta - que tem seus benefícios na saúde - como também impedir uma efetiva iluminação natural, resultando em mais custos com iluminação artificial para complementar.
É necessário que o projetista conheça a geometria solar de inverno e verão em relação ao lugar de implantação do edifício, pois dependendo da localização do edifício a própria sombra provocada por áreas construídas ou massas de vegetação vizinhas pode minimizar a necessidade de sombreamento em certas fachadas.
É muito importante que o estudo da insolação também considere o entorno da área edificada, para posteriormente planejar a orientação da edificação e as proteções necessárias às fachadas.
3. Inércia Térmica por Resfriamento

De forma resumida, componentes de alta inércia térmica funcionam como uma espécie de bateria térmica: Durante o verão absorvem o calor, mantendo a edificação confortável; no inverno, se bem orientado, pode armazenar o calor para liberá-lo à noite, ajudando a edificação a permanecer aquecida.
Isso ocorre, pois, como explica o site da Projetee, uma edificação de elevada inércia térmica proporcionará uma diminuição das amplitudes térmicas internas e um atraso térmico no fluxo de calor devido a sua alta capacidade de armazenar calor, fazendo com que o pico de temperatura interna apresente uma defasagem e um amortecimento em relação ao externo.
Vale salientar que a inércia térmica total da edificação depende das características do envelope (do tipo de piso, parede e cobertura) que devem ser compostos por materiais geralmente densos, de elevada capacidade térmica. Além dela, a admitância térmica do material vai influenciar na sua capacidade de absorver e armazenar calor. Um material de alta admitância térmica absorve e libera o calor rapidamente.
O uso da estratégia de alta inércia no envelope só tem efeito se a ventilação natural através dos ambientes internos for restringida ao longo do dia, uma vez que com a ventilação a temperatura interna aumenta varia de acordo com o meio externo diretamente, sem o atraso térmico característico do fluxo de calor através das paredes e teto.
Deve-se ter cuidado ao usar a estratégia de alta inércia térmica nos componentes de cobertura e de paredes à oeste, pois a elevada exposição à radiação solar durante a maior parte do ano, pode transformar-se em acumuladores de calor e provocar elevado desconforto térmico interno no período de verão.
Este tipo de estratégia deve ser aplicado a estes componentes com muito critério, procurando minimizar os ganhos solares através de isolamento térmico externo ou sombreamento no período diurno.
Caso esteja em dúvida e queira adotar estratégias práticas de promoção de conforto térmico em seu imóvel, seja ele residencial ou comercial, basta nos procurar que vamos prontamente lhe atender, esteja você em Palmas, Tocantins, na Região Norte ou qualquer outra do Brasil.
Fique por dentro dos próximos artigos através das nossas redes sociais.
______________________________________
Fontes:




Comentários